Realizar discussões em blogs ou redes sociais?

Quem é leitor assíduo do blog notou que fiquei um longo período sem publicar textos por aqui. O motivo dessa lacuna não foi a falta de assunto.

- Então o que ocorreu? Não vai dizer que foi falta de tempo – indagaria o mais astuto leitor.

- Também não foi, meu caro – lhe responderia. – A culpa é das redes sociais.. Desde que passei a utilizar com maior frequência o Twitter e o Facebook, abandonei, de certo modo, este e outros blogs. – Faltou dedicação para escrever novos textos.

Faço a ‘reestreia’ deste blog descrevendo meu ponto de vista em relação aos prós e contras de discutir em blogs e em redes sociais.

Utilizo o termo discutir sob sua acepção mais ampla, relacionada ao debate, exame e investigação. Assim, quando exponho meu ponto de vista espero o feedback dos leitores para que juntos possamos elucidar os fatos. Nesse sentido, um post ou um tweet é uma discussão. Desculpe-me se isto afronta a sua inteligência, mas evito alimentar os trolls por aqui – embora eu saiba que eles leem somente o título e a primeira linha do texto.

Os blogs

Os blogs surgiram no início dos anos 2000 como simples diários virtuais[1]. Na maioria dos casos seu conteúdo poderia ser classificado como inútil para pessoas fora do círculo social do autor (e muitas vezes até para os mais próximos :x ).

A partir da metade da década passada, evoluíram para o formato atual, onde o autor propõe-se a expressar sua concepção em relação a dado evento e discutir – através dos comentários ou trackbacks - com os leitores. Tal período foi marcado pelo boom dos programas de afiliados e o surgimento dos probloggers.

Atualmente existem incontáveis blogs de boa qualidade em diferentes nichos de assuntos, cada qual contribuindo para disseminar informação, cultura e entretenimento.

Os blogs representam um marco na história da humanidade, pois derrubaram barreiras geográficas e permitiram ampliar conversações que antes ficavam restritas somente a pequenos grupos de amigos. Foi a queda do monopólio dos meios de comunicação de massa.

Infelizmente para criá-los e mantê-los era (e ainda é, em menor grau) necessário algumas noções básicas de como funciona a Web e de HTML. Ou então, de um amigo que possa oferecer ajuda.

As redes sociais

As redes sociais – pegando o mesmo bonde dos blogs – surgiram a partir de 2004 e junto com os blogs criaram a buzzword Web 2.0, tão usada outrora e não raro ainda hoje por computeiros e marqueiteiros.

De modo semelhante aos blogs, a história das redes sociais mainstream[2] podem ser divididas em dois momentos: primeiramente com foco na vida e comunicação das pessoas e posteriormente – a partir do Twitter – na troca de informações, discussões e insights.

Elas conquistaram o gosto dos usuários por oferecer baixíssima curva de aprendizado em um único ambiente repleto de amigos, conhecidos e desconhecidos.

Enquanto as pessoas tinham que decorar os endereços dos blogs (ou salvar nos favoritos) e acessá-los com alguma frequência para saber se havia novidades[3], as redes sociais simplificaram o conceito de feed RSS e forneceram uma timeline em tempo real com as últimas atualizações dos contatos.

Assim como os blogs, redes sociais como Twitter e Facebook veem revolucionando a forma como as pessoas relacionam-se e trocam informações.

Vantagens e desvantagens de cada um

As redes sociais permitem criar discussões de maneira rápida com um texto menos rigoroso e muitas vezes circunstancial, baseado em algum evento que está ocorrendo e todos na rede estão comentando.

Os blogs, por outro lado, permitem criar discussões melhor fundamentadas sob a pena de exigir mais tempo para elaboração do texto, sobretudo pela necessidade de inserção do contexto e a defesa das idéias.

A contextualização é necessária porque teoricamente não há limite para vida útil de um texto em um blog, pois este será lido enquanto os mecanismos de buscas acharem que ele é relevante. Em uma rede social, a vida útil de uma postagem varia de minutos à horas. Além disso, o público alcançado em uma rede é limitado pelo tamanho do seu círculo social (desconsiderando os Retweets e Shares).

Apresento um exemplo a seguir para ilustrar a ideia sobre a vida útil de uma mensagem e o seu alcance: possuo um blog que recebe mais de 1000 visitas diárias onde 95% dos textos foram escritos entre 2006 e 2007. É muito improvável que alguém leia uma postagem realizada há um mês atrás no Twitter ou no Facebook. Aliás, é muito improvável que 100 pessoas tenham lido a mensagem na data de publicação na rede.

O feedback, entretanto, é brutalmente mais rápido nas redes sociais porque uma vez que o usuário esteja logado na rede, o mesmo passa a receber instantaneamente as atualizações (isso não quer dizer que ele as lê). O mesmo vale para os comentários realizados.

Em um blog, todavia, esse tempo para obtenção de feedback tende a ser maior visto que são poucas pessoas que utilizam-se de feeds e/ou acessam regularmente o site. Porém o texto receberá muitas visitas quando for indexado pelos mecanismos de buscas (e durante tempo indeterminado).

Qual utilizar?

Diante do que foi exposto, recomendo a utilização de blogs para elaboração de textos onde o autor tenha interesse de expor seu ponto de vista com embasamento e levantar uma discussão proporcionalmente valiosa em detalhes e argumentos.

As redes sociais, no entanto, não devem ser deixadas de lado. Elas funcionam muito bem para obter um feedback rápido sobre determinado evento ou assunto. Todavia tais opiniões são mais pobres devido a dinâmica das redes (como limite de caracteres e dispositivos utilizados para realizar o acesso).

Aliar as duas ferramentas é uma decisão inteligente. Corriqueiramente vejo blogueiros trocando ideias com os seguidores no Twitter antes de escreverem algo em seus blogs. Funciona como uma forma de aprimorar a ideia e ver se não faltou nada. Muitos também utilizam as redes para divulgar seus textos (e obter acesso rapidamente).

Finalmente, outra coisa que deve ser levada em consideração é se você pretende discutir com algum desconhecido. Em caso negativo, fuja do blog.

E você, caro leitor, têm algo a acrescentar? Solte o verbo nos comentários :)

PS: Deixei de fora do escopo deste texto questões legais ligadas aos termos de utilização das redes sociais e serviços de blogs gratuitos. Tal assunto pode, algum dia, gerar um texto tratando especificamente destas questões.

Notas:

[1] Há relatos sobre blogs anteriores a essa data, mas achei mais interessante destacar quando eles realmente se popularizaram.

[2] Muito embora existiam redes sociais voltadas para troca de informações (como o Digg) desde os primórdios da Web 2.0, somente a partir do Twitter isso tornou-se realidade para o público mainstream. Deu tão certo que Facebook e Google Plus copiaram a fórmula.

[3] Embora desde os primórdios dos blogs houvessem Feeds em ATOM e depois em RSS, a tecnologia não caiu no gosto  público mainstream. Sei que isso soa como uma ofensa para os geeks, mas até nos grupos de computeiros(sic) volta e meia aparece alguém que não conhece.

Créditos das imagens:

Todas imagens listadas a seguir foram disponibilizadas no Flickr  sob Creative Commons pelos seus criadores. Estão em ordem de aparição.  Algumas das imagens contém marcas registradas pelos respectivos donos (que não são os autores das imagens).

Máquina de escrever por Everton Amaro
Logotipo do Blogger.com por Colin ZHU
Logotipo do WordPress por Phil Oakley
Ícone do Facebook e Twitter por cambodia4kidsorg
Dado Yes No por jepoirrier
Argumentar por Francis Carnaúba

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